27. FICHAMENTO "LIÇÕES DE ARQUITETURA" DE HERMAN HERTZBERGER

     No livro “Lições de Arquitetura”, Herman Hertzberger introduz sua obra dizendo “O objetivo de minhas “lições” sempre foi estimular os estudantes, despertar neles uma mentalidade arquitetônica que pudesse capacitá-los a fazer seu próprio trabalho”. Desse modo, ao longo da leitura pode-se perceber que o autor não apresenta a teoria para que o estudante apenas a aceite e não reflita sobre ela, pelo contrário, constantemente o leitor é convidado a pensar e elaborar um pensamento crítico diante de tantas aplicações práticas de conceitos e projetos arquitetônicos.

Por meio da divisão do livro em 3 partes (A – Domínio Público, B – Criando espaço, deixando espaço e C – Forma convidativa) o arquiteto holandês aborda diversos conceitos como público e privado, funcionalidade, flexibilidade e polivalência, urdidura e trama, incentivos, equivalência, entre muitos outros essenciais para os ensinamentos.

Na primeira parte, somos convidados a refletir sobre as diferenças (as quais, diversas vezes, não são tão claras) entre os locais públicos e privados, além do espaço de transição entre eles, o chamado “intervalo”. Ainda na parte A, Hertzberger fala sobre a rua como espaço de interações sociais, não apenas de deslocamento, e sobre a importância de a população voltar a conquistar esse espaço e estar em locais públicos que visem o contato com a vizinhança.

Na segunda parte do livro, o autor coloca em foco as mudanças que os espaços passam ao longo do tempo e devido ao desejo das pessoas. Dentro dessa questão de mudança espacial, conceitos como urdidura e trama entram em vigor ao passo que são metáforas que se referem a uma base/estrutura (urdidura) que seria transformada e diferenciada ao longo do tempo por meio da trama. Além disso, o arquiteto fala sobre a interferência que o indivíduo causa no espaço, assim como o espaço causa no indivíduo, ademais de que seria imprescindível que o espaço tenha abertura para que as pessoas se sintam responsáveis por ele e que possam modificá-lo. Por fim, outro conceito muito importante para a parte B do livro seria a flexibilidade, que se relaciona àquelas estruturas que não sofrem grandes modificações, mas permitem algumas variedades de uso  (porém é sempre bem delimitado a quantidade de variedades de uso), já o conceito de polivalência, segundo Hertzberger, descreveria a capacidade das estruturas de serem usadas para múltiplas funções simultaneamente ou alternadamente (sem haver uma delimitação tão especifica, podendo ser bem versátil).

Na terceira parte, o holandês fala que os espaços e os objetos não deveriam ter uma função já previamente estabelecida, e sim, deveriam cumprir diversas funções e que tais funções possam ser mudadas também. Ademais, em relação à organização de um local, o arquiteto diz que ao projetar uma construção você deve utilizar a quantidade necessária de espaço para o seu funcionamento, não ocupando mais espaço do que precisa nem menos; os locais devem ser projetados pensando na regulação de contato entre pessoas (determinados locais exigem maior ou menor interação social) e entre pessoas com o espaço externo – abertura e isolamento.

Dessa forma, após a leitura do livro o estudante entende que a arquitetura deve ser capaz de permitir diversos tipos de experiências quando as pessoas estão em um local. Logo, não deveriam ser realizados projetos engessados e que devem ser utilizados unicamente da maneira como foi estabelecido pelo arquiteto. Portanto, na minha opinião, “Lições de Arquitetura” deveria ser uma leitura obrigatória para todos os arquitetos e estudantes de arquitetura, uma vez que, após a leitura, entendemos que as construções só estão completas quando as pessoas que as utilizam estabelecem relações com elas, criam vínculos ali dentro e realizam mudanças nelas.

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