21. APRESENTAÇÃO - NÃO-OBJETO E ARTE CINÉTICA

GRUPO 1 

(Amanda Soares, Maria Fernanda M. Merguizo, Maria Luiza Paulino, Paula Alvinhão, Sofia Lima, Vitória Bital).


                        Lygia Clark (Não-Objeto)



"Bichos"

    A obra neoconcretista "Bichos", de Lygia Clark, surgiu em um contexto de começo da ditadura militar e devido a esse fato, a artista queria buscar uma maior liberdade de expressão, assim, a obra acabou se tornando um comentário sobre a situação política de modo sutil.
    O material desse Não-Objeto é o metal, a maioria tinha arestas pontiagudas (porém tinham alguns sem pontas) e tem dobradiças em sua composição. Graças a escolha desse material e da presença das dobradiças o "bicho" consegue ser movimentado e transformado, atingindo diversas posições. Além disso, os "bichos" não eram decorados ou pintados, o que podemos entender que Lygia Clark queria trazer a pureza da obra e do material, fazendo com que as pessoas tenham uma maior imersão.
    Apesar de conseguir produzir diversas posições, essa obra tinha uma certa limitação o que torna a experiência de certa forma frustrante para o espectador que não consegue ultrapassar esse limite, mas ao mesmo tempo gera curiosidade para tentar reproduzir o máximo de posições. 
    Quanto a experiência sensorial, ela é única para cada espectador, uma vez que esse está livre para manusear a obra como quiser, ou seja, não há uma manipulação com instruções.




Julio Le Parc (arte cinética)

    Julio Le Parc é um artista argentino extremamente importante na arte óptica e cinética. Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel, um grupo de artistas que visava uma maior interação do público com a obra para que essa fosse aprimorada a partir da percepção e da ação.
    O artista argentino, na opinião do grupo, é extremamente interessante, pois em todos as suas séries de trabalhos sempre utilizou técnicas distintas para aplicar o movimento nas obras, por meio de movimentação física, ilusão de óptica, truques de posicionamento de peças, etc.  
    Em sua série mais antiga de trabalhos, "Surfaces", o artista utiliza formas geométricas para representar movimento, instabilidade e progressão. Posteriormente criou a "Surfaces Coleur", uma outra série de arte óptica/cinemática, porém essa tinha um foco maior na interação que os arranjos de cores proporcionavam para as obras, além de não assumir tantas formas regulares e geométricas como a "Surfaces".
"Secuencias en rotación
en blanco y negro” (1959/2014)

    Na obra, o fundo preto se destaca com os elementos brancos, criando um contraste marcante que contribui para a ideia de movimento. As linhas seguem certo padrão e sequência, mas apresentam pequenas variações em suas posições e ângulos, o que gera uma sensação de dinamismo — tanto ao guiar o olhar do espectador em uma direção circular quanto ao sugerir certa profundidade.
    No centro da composição, os traços parecem mais organizados, enquanto, à medida que se aproximam das bordas, tornam-se progressivamente mais desordenados. Essa transição reforça a ideia de expansão. Além disso, a percepção da obra pode variar conforme a distância do observador: aproximações e afastamentos revelam diferentes interpretações visuais da imagem.


“Alchimie 570” (2024)

 
    Nessa obra, o fundo preto funciona como um espaço neutro, permitindo um maior destaque às cores utilizadas na composição. Através dessas cores utilizadas, o artista cria um gradiente que vai dos tons mais quentes até os mais frios, com transições suaves que evitam que o olhar se fixe em algum ponto específico, permitindo uma observação contínua pela obra. 
    Em relação às linhas, podemos perceber que elas surgem a partir do alinhamento e da densidade dos pontos, não havendo um traço reto em nenhuma parte da pintura.
    Quanto ao formato da obra, nota-se que tem uma forma de meia-lua que se estende para baixo em dois fluxos arredondados, o que cria um eixo de simetria. Dentro dessa forma as linhas curvas e convergentes estabelecem uma sensação de movimento e dão origem a pequenas formas geométricas, como losangos.
    Pela sua composição, o observador é conduzido a analisar a obra de cima para baixo, acompanhando um movimento que parece descer dos arcos. Tal movimento é reforçado pelo ritmo visual criado pela variação na densidade dos pontos: nas áreas mais compactas, há uma impressão de maior velocidade e intensidade, enquanto as regiões mais espaçadas sugerem uma desaceleração. Ademais desse fluxo vertical, a composição também conduz o olhar do centro para as laterais, onde os pontos vão se dispersando gradualmente, reforçando a sensação de expansão e leveza. 

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